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"O Equívoco"
Ao carácter unívoco do discurso referencial ou informativo: “Uma língua não é senão o conjunto dos equívocos que a sua história deixou persistir” (Lacan, «L´étourdit», in Scilicet, 4, p. 47), opõe-se, em geral, o do equívoco do discurso literário: “A religião é dogmática. A política é ideológica. A razão deve ser lógica.
Mas a literatura tem o direito de ser equívoca.” (Carlos Fuentes, Le Monde Diplomatique, 2005)
O equívoco: eis o tema do próximo número temático da revista Carnets.
Susceptível de várias interpretações, alvo de desfasamentos sucessivos, o equívoco é ao mesmo tempo cultivado e denunciado. Erigimo-lo em estética e, quando pensamos que o estamos a apreender, eis que nos escapa. Pode mesmo constituir uma das características essenciais da relação entre representação artística e sociedade, daí a “cultura do equívoco” de que se falou a propósito de algumas épocas.
Designando sempre um duplo sentido, distingue-se contudo da ambiguidade que nenhuma interpretação consegue plenamente desvendar.
Por tudo isto o equívoco constitui para nós um desafio. Difícil de circunscrever, ele questiona e interpela.
O que este número de Carnets se propõe fazer é justamente: questionar, discutir, problematizar o “equívoco” nos seus múltiplos aspectos e a partir de vários pontos de vista:
Equívoco e Literatura
- Equívoco e Linguística
- Equívoco e Cultura
- Equívoco e História
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